Textículo (*) s. m., texto ridículo; texto pequeno. (* não existe no dicionário)
7.1.10

«Agora foi a linha férrea Miranda do Corvo – Coimbra: fechou ao fim de 103 anos de circulação. DIR-SE-Á QUE É O PROGRESSO e que o futuro avança assim, inexoravelmente, espezinhando razões históricas, civilizacionais, ambientais, da economia e do interesse locais. A questão é que o futuro, em Portugal, tem avançado às arrecuas. Desde os governos de Cavaco Silva, o encerramento de linhas e troços ferroviários passou a ser uma espécie de desígnio nacional. E, como está bem à vista, não foi por isso que Portugal avançou... a não ser rumo à desertificação. A desertificação do Interior-Norte é directamente proporcional ao desinvestimento em vias-férreas e comboios.


Aliás, o encerramento de linhas de caminho de ferro é apenas um capítulo da mesma política que arrasou outros sectores da economia, da história, da soberania e da vida colectiva portuguesas. Em nome do progresso, deliberadamente, sucessivos governos portugueses desmantelaram sectores imensos de actividade como fossem a marinha mercante, as pescas, a agricultura. E ninguém venha dizer que Portugal ficou mais rico, mais independente ou mesmo mais moderno com tais políticas de terra queimada ou, como também poderá dizer-se aludindo às vias-férreas, políticas de pouca-terra. Poderão esgrimir-se as mais eruditas teorias, as mais modernas correntes de opinião, a mais sonante propaganda. Nada disso altera a realidade que é o empobrecimento, a desertificação e a submissão do País.


A grande questão é que excluindo os grandes interesses plutocráticos, os políticos portugueses não têm em geral qualquer ideia ou projecto sobre o futuro do País. E assim, feche-se, liquide-se, destrua-se, arrase-se. E o deus dinheiro que reconstrua um país à sua imagem e semelhança.», João Paulo Guerra no Diário Económico de 6 Janeiro de 2010

 

 

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7.12.09

É este o nome de uma fábula de La Fontaine(séc XVII), a respeito dum traficante marítimo que muito enriqueceu e os seus dias de jejum, devotamente cumpridos, passaram a autênticos banquetes. Gabava-se do seu savoir faire e do seu talento em correr riscos e a investir o seu dinheiro. No entanto, as coisas mudaram, os ventos foram-lhe contrários, empobreceu. E não é que desatou logo a incriminar a Fortuna, o Destino, a Sina.

 


Espero vir a ter de roer o braço cerce, estando enganado, mas esta notícia "Taxas Euribor arrancam semana a subir", não augura nada de bom e pode vir a ser o sinal de que, verdadeiramente, a crise começa agora. Vou guardar um pacote de sal e outro de pimenta, só para o caso de vir a ser necessário.


"O orçamento deve ser equilibrado, o Tesouro aprovisionado, a despesa pública reduzida, a arrogância dos dirigentes moderada e controlada e a ajuda externa condicionada de modo a que Roma não vá à falência. As pessoas têm que reaprender a trabalhar em vez de viverem da assistência pública." Cícero – 55 a.C. In “República”



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12.5.09

Honestamente, a boçalidade roça a vida nacional, porque esta está praticamente imóvel, vive o embaraço típico dum adolescente com a bigodaça centenária do pai, ou o look pouco cool da cota, na desonra de mostrarem à namorada as suas fotos de bébé com o orgão de fora. Porque afinal depende deles, baixa os olhos, cala a boca e sorri como só a Mona Lisa alguma vez o fez.

Seja na política, na economia ou no futebol, apenas para referir as mais visíveis nos últimos tempos e sendo mais evidente, de longe, na política todos os dias se assiste ao esticar até ao limite o cabresto da narrativa, dos assomos e da aparência. Uma vez arrecadada a verdade numa torre de marfim, logo se vai bater por ela em discussões cacofónicas, surdas até à última pinga de suor, carregadas até ao ponto de não retorno para cair desamparado de dignidade num curto vexame, porque a memória povo apenas quer recordar o animal a sangrar. Noutras paragens parecem tolerar este tipo de comportamentos, cá é norma, nesta imaturidade cultural, que até à algum tempo chamava de "país em estado selvagem", que agora reformulo num "jardim infantil" e ainda que as crianças sejam o melhor do mundo, está à míngua de julgamento e cheio de correrias e berraria.

Uma coisa que os últimos tempos têm revelado na vida pública, é que esta está cheia de gente prolífica até à incontinência.

 

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15.4.09

Goldman Sachs fez desaparecer Dezembro, via Diário Económico.

 

O que é preciso para mandar a tropa, também, atrás destes piratas!

 

Para a próxima façam desaparecer Abril. É muito chuvoso, passava-se logo para Maio que é mais cálido! :)

 

 

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20.3.09

Um lemming com a sua minúscula rede neuronal questiona-se sobre a improbabilidade de não nos termos já precipitado todos dum penedo qualquer. E se a ideia da Humanidade se estar a aperfeiçoar, um aforismo fabricado pelo ego em quilo e meio de massa cinzenta, as últimas quinhentas gerações curiosamente rejeitam tal racionalidade nos comportamentos. Não há evolução, as cabras ainda não fazem ninhos nas árvores.
 

Os selvagens lutavam regularmente com as tribos vizinhas por cavalos, caça, água ou mulheres, não obrigatóriamente por esta ordem, os astecas inventaram a remoção cirúrgica do miocardio como meio de rogar aos deuses cavalos, chuva, colheitas e mulheres, de novo a ordem não interessa, estes sacríficios horrorizaram os espanhóis, um povo civilizado que já fazia churrasco de hereges e até aos nossos dias foi um pulinho cheio de crueldade. A construção dum míssil balístico intercontinental contêm em si própria a mesma elegância de colocar um prego na ponta dum cajado. Por outro lado no exacto momento em que julga a juventude perceber tudo melhor que os próprios pais,  alista-se na próxima cruzada que tome Jerusalém ou até salve o mundo do FMI, tudo em nome de princípios e de forma tão persuasiva quanto barulhenta, não é necessariamente estúpida, embora por vezes o simulem bem.

 

Mas enquanto sociedades, organizações ou razões, o ímpeto apostólico usualmente pavloviano que espuma argumentação, indignação e agressão, porque falar é sempre mais fácil que agir e a civilização têmpera a barbárie, esquece-se que o âmago não está em se ter razão, está em melhorar a vida alheia, está em que morram menos uns quantos.

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