Textículo (*) s. m., texto ridículo; texto pequeno. (* não existe no dicionário)
16.12.08

Hoje não sabia bem sobre o que escrever, ao reparar no calendário, sorri. Neste dia, duas amigas festejam os aniversários, não tivesse eu perdido, há muito, os seus contactos ligava-lhes. Parabéns às duas. Nesta data mudei de emprego à uns anos atrás. Em 2006, percorria a costa rochosa entre Dahab e Ras Abu Galum, em cima de um camelo com alma de Fred Astaire. As patas dos camelos foram feitas para caminhar nas areias do deserto e não para sapatear nas rochas. Quando chegámos estava escuro como breu, fomos recebidos pelas crianças beduinas, que nos indicaram a cabana feita de canas onde dormiríamos em cobertores no chão de areia, trouxeram-nos comida e outras iguarias locais.

 

A manhã acordou gloriosa, o sol trepou as dunas do outro lado do golfo, nas arábias, os primeiros raios de sol franquearam-nos os olhos, rapidamente engolimos o pequeno-almoço e já equipados lá fomos para a água. Através duma passagem estreita no banco de coral mergulhámos, o corpo deixou de pesar e à medida que desciámos a areia deu lugar a um manto de coral cheio de cor, por cima de nós a luz do sol matizava o mar de azul e verde. Ocasionalmente pequenos peixes fitavam-nos com o seu olhar frio e aparvalhado e na privacidade das suas mentes pensariam que desajeitados e indefesos são estes forasteiros. Agrupados no fundo, explorámos juntos os corais onde milhares, talvez milhões, de pequenos peixes habitam, cardumes de peixes maiores vagueavam por ali, evitando-nos e nós evitavámos os peixes-leão rondavam por ali solitários, não porque que mordam mas porque o seu veneno é perigoso, tanto mais que estavámos a hora e meia de camelo da povoação mais próxima.

 

Um polvo mascarado de coral permanecia no fundo, curioso com a nossa presença. Os polvos provam que as teorias evolutivas estão correctas, porque ninguém iria engendrar tal bicho ao mesmo tempo que nada tão singular existe por mero acaso. O conceito de forma é estranho aos polvos, exibindo a desarmante descontracção estética de num momento parecerem uma meia acabada de descalçar para logo a seguir parecer uma elegante luva. Quando se fartou da nossa companhia, desapareceu como um foguete numa pequena nuvem negra, como um ilusionista.

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De texticulos a 16 de Dezembro de 2008 às 17:43
...e muito amor! Parabéns a eles e aos rebentos!