Textículo (*) s. m., texto ridículo; texto pequeno. (* não existe no dicionário)
15.12.08

Fora da janela residia um dia invernoso, cá dentro o ambiente era mais estival, a madeira crepitava alegria e calor, o cheiro a café acabadinho de fazer convidava ao pousio no sofá, enquanto reunia os pedaços da noite anterior com os estarolas do costume. Que após um par de whiskeys encetou uma animada cavaqueira sobre a transitividade sensível da existência do sujeito em convívio multi-dimensional, sintetizado, vida.

 

Esta, envolvida com referências várias, algumas de origem duvidosa, exige que lhe achemos um significado antes que ela se torne num nome e duas datas ligando o nascimento à morte gravados em mármore. A sociedade sugere-nos essa eminência, no crime; doença; desastres naturais, etc. e desta forma o medo e o desejo assumem maior relevo na condução da vida, alimentando em nós a identidade de vítima sempre que encontramos o "copo" meio cheio e o apito final mais próximo. A mágoa e o ressentimento passam a ocupar uma parte essencial da nossa visão e ainda que justas (as mágoas) não é raro que se iluda o ego fortalecendo a superioridade moral do indefeso, que necessita de resistir, de se opôr ao "algo" e aos "outros".

 

A vida torna-se um conflito, uma guerra. Um eterno defender das portas de Viena, estar armado e alerta é o mote, a paranoia e a hostilidade tomam o comando, perde-se a empatia. As pessoas e as "coisas" tornam-se recursos que existem para o que servir. Habitua-se o ego aos despojos e na pior das hipóteses quere-mo-nos felizes, estando já viciados em infelicidade. Ou isso, ou o whisky estava marado.

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