Textículo (*) s. m., texto ridículo; texto pequeno. (* não existe no dicionário)
Aventureiro introvertido; Sensível idiosincratico; Conversador tranquilo; Solitário na multidão; Dedicado desregrado;
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24.6.09

Post roubado à Rititi!

"HOSPTITAL CURRY CABRAL, LISBOA, 17 DE JUNHO DE 2009
(...)à porta desta reputada instituição hospitalar um fornido segurança vociferava ao telemóvel os seus assuntos também fascinantes e pelos vistos cruciais para os destinos da humanidade enquanto uma senhora velha, daquelas que de tão velhas já só podem ser tratadas por velhinhas, se mantinha imóvel na entrada rodeada de ambulâncias e gente que passava, dobrada sobre si mesma. E sozinha. A senhora está bem? Ó segurança, já viu se a senhora está bem? ah, ela (uuuuf), quer ir às urgências, e o segurança, não faz nada? eu? ela que dê a volta ao hospital que a porta das urgências é do outro lado, mas já reparou que a senhora não pode andar? Silêncio. Costas voltadas. Num hospital. E lá fui eu, armada em nada, só em pessoa, para dentro do hospital pedir que uma enfermeira pegasse numa cadeira de rodas para levar a senhora velhinha às putas das urgências. Quer o quê? alguém que trate da velhinha, a senhora funcionária não poderia pedir a esse outro segurança tão bem aposentado na sua cadeira de importante para dar um jeito? eu? era o que mais me faltava, não estou aqui para isso, então dê-me a cadeira a mim, ah mas senhora não faz parte do pessoal habilitado para retirar material hospitalar, aliás, quem é a senhora, um familiar? Eu? Eu só vim levantar dinheiro! A funcionária, ante tal absurdo, durante uma caganéssima de segundo viu a luz, vá-se embora descansada que eu peço a uma auxiliar para ir ver da senhora. E lá fomos nós pouquíssimos descansados à nossa vida, pagar o arranjo do carro à oficina que não aceita cartões estrangeiros. Mas voltámos, ai se voltámos ao hospital, de nome Curry Cabral, e lá estava a velha, à entrada do hospital, a entrar toda dobrada num táxi que caritativo se ofereceu para a levar grátis às urgências, enquanto sua excelência o besta do segurança, do alto da sua farda e dos vinte e inúteis anos, continuava ao telemóvel, grunhindo a estupidez da sua existência. Então, ó senhora funcionária mas que raio, aaah pois, então é assim, de facto foi lá fora a auxiliar e até lhe levou um copo de agua, está a ver, mas senhora (velha, velhinha), estava confusa, sabe como são os velhos, queria ir às urgências, enganou-se na porta, mas as urgências não são aqui, aqui é só para consultas externas e eu até a levava, mas estou aqui cheia de trabalho, e a auxiliar também tinha mais que fazer. E se fosse a sua mãe, a sua avó, também a deixava lá fora, às quatro da tarde, a trinta e muitos graus, sozinha? E para que servem vocês? Para que serve um hospital em Portugal? Grunhidos ante a desesperação de um casal indignado por culpa de uma velha anónima.
Isto é o Curry Cabral, um hospital português. De todos aqueles funcionários com quem tivemos contacto não houve uma alminha que tivesse o mínimo, já não digo de profissionalismo, mas pelo menos de decência, humanidade, compaixão, amor ao próximo, dignidade. Uma velha que mal podia andar, curvada, sozinha, desorientada, só lhes mereceu a estes seres apáticos atrás do seu guiché uma infinita indiferença, um encolher de ombros assombroso. E isto em Lisboa, nem quero imaginar o resto do país, onde a terceira idade é a única idade que habita as vilas, as ruas, os centros de saúde, os hospitais. Ser velho em Portugal é sinónimo de abandono, toda a gente sabe disto, mas que num hospital, de nome Curry Cabral, se profissionalize este desamparo, que se maltrate assim os velhos, já nem é mau: é pecado. É o resumo do país de merda onde envelhecer é o pior dos pesadelos se o dinheiro falta e os filhos acham que são órfãos.
Porque os velhos são uns chatos, estão sempre doentes, cheiram mal, repetem sempre os mesmos doeres, entopem as salas de espera com os mesmos queixumes de sempre, oxalá morressem todos e fôssemos todos saudáveis, e bonitos e altos e não chateássemos os funcionários de nenhum hospital, que tanto têm que fazer, atrás do seu guiché de gente ocupada e importante, em vez de tratar de doentes que é para isso que são pagos."

Palavras para quê!
 

 

link do post texticulos, às 13:34  | comentar

15.6.09

Hoje assinala-se o dia internacional de sensibilização sobre a prevenção da violência contra as pessoas idosas.

 

Por favor... não batam nos velhinhos!!!
 
 
Que MERDA de sociedade é esta que precisa destes dias!!! FODA-SE!!!!

 

link do post texticulos, às 09:05  (1) | comentar


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