Textículo (*) s. m., texto ridículo; texto pequeno. (* não existe no dicionário)
Aventureiro introvertido; Sensível idiosincratico; Conversador tranquilo; Solitário na multidão; Dedicado desregrado;
texticulos@sapo.pt
17.3.09

Para além da inegável elegância e distinção de sua Magestade a Rainha Rania da Jordânia o que me chamou à atenção foram as conversações para ligações aéreas entre Lisboa e Amã.

 

Reabrem-se assim as perspectivas de percorrer o Wadi Rum e visitar Petra, adiadas desde 2006 quando o Hezbollah e Israel andaram a judiar um com o outro, o que tornou as travessias das fronteiras naquela região demasiado perigosas.

 

 

O cínico dentro de mim desdenha dos discursos de boas intenções em relação à paz, ainda que a deseje depende apenas de algumas almas melindradas.

link do post texticulos, às 10:32  (5) | comentar

6.1.09

"...defender a honra!". Kom kariakas, honra? Preferia sofrer uma infecção de hemerróidas, ao menos não são aberrações mentais. Bem, depende onde se tenha a cabeça. Não é mais que melindrosa vaidade infantil embrulhada em desesperada afirmação.

Os militares são altamente sensíveis a este conceito de honra, desde a recruta dissimulam a sua actividade, que consiste em matar, violar, pilhar e queimar, massacrar aldeãos, gerando viúvas, orfãos e prisioneiros, tudo isto em memória de camaradas caídos, a bravura da cavalaria e da sua nobre superioridade. Durante séculos deu azo, também, a duelos de capa e espada entre gente praticante da consanguinidade, a mesma nobreza de à pouco. Um duque, um conde, aparentemente uma besta qualquer consideraria inaceitável, que de cavalgadura tratassem a sua avó, o que faria da digna quadrúpede, tia do ofensor, para ai. Atiraria uma luva ao chão dando início ao Duelo que teria lugar num Campo de Honra, onde após um qualquer ritual digno de gansos com o cio, brincariam de espada em riste até que um furasse o outro, deixando-o à mercê duma peritonite. Tudo isto evoluiu para pistolas e tudo o mais que causar matar, motorizadas e carros em estradas escuras e desertas e determinadas danças num qualquer beco, etc.

De todos os sintomas de ego fraco, este deverá ser o mais embaraçoso e perigoso. (Nas mulheres, normalmente, significa castidade, também aqui uma péssima ideia ainda que não tão fatal. Quando for pai vou ter de digerir esta frase com uma pitada de sal.) A coragem é admirável quando não praticada por criminosos e soldados. A lealdade aos amigos numa adversidade é recomendável. A decência dá uma certa aura a que a pratica ocasionalmente. Honestidade? Vale a pena tentá-la, estando certos das suas consequências. Honra? É indicação de fraco carácter.

link do post texticulos, às 09:34  | comentar

5.1.09

Passei de fuga pelo televisor e reparo que a rapaziada no médio oriente anda outra vez na "brincadeira". A última vez que o fizeram impediram-me de visitar Beirute, quase me apeteceu rebentar com qualquer coisa. Uma pessoa quando anda por aqueles lados acaba por inculcar certos hábitos. :)

 

Essa memória levou-me às tardes no Cilantro, o jantar no Teatro, as conversas com a militância pela paz, a injustiça e o bem-estar destes povos. Ao titubear. Às tuas incursões em territórios ocupados.

 

Onde andas tu, prática sonhadora e lutadora convertida? Espero que em segurança.

link do post texticulos, às 11:02  | comentar

11.12.08

Começar guerras é bem mais fácil que terminá-las, os historiadores tendem a encará-las como consequência lógica de correntes históricas e abstractas. Discorrem sobre equilíbrios de poder, choque de civilizações, competição por recursos, rivalidades económicas. Desta forma, o conceito, soa tão desapaixonado, razoável e magéstico até. Seria, talvez, mais correcto descrevê-lo como hobbie de criançolas que, sem saberem como, acederam ao poder.

 

Como as democracias não simpatizam com guerras agressivas, têm de ser iludidas para elas e pagá-las no final. As guerras, então, embrulhadas de princípios morais e necessidades geo-estratégicas acabam em confrontos de teimosia e vaidade. Um líder que empurre uma nação para a guerra está a expôr o seu ego e será penoso dizer "Bem... à luz dos factos a façanha parece ter falhado. Voltemos para casa!" Irá forçar de forma imprudente e desesperada uma saída à ignomínia da derrota. Levar a paz e a democracia a lugares onde gente boa leva a religião muito a sério, até poderia fazer sentido. Fazer explodir locais de culto e bombardear bairros é uma estrátegia discutível que funcionou na antiguidade. E ainda assim tem a sua lógica, habitualmente, os mortos são incrivelmente pacíficos.

 

Os perús não parecem animais pouco inteligentes mas ao lado do Jorge Arbusto, estes demonstram ter o intelecto de cinco séculos de sabedoria grega. E temo que não seja ele o único.
 

tags:
link do post texticulos, às 15:53  | comentar

20.11.08

O post 031.Até que a morte vos separe(post cínico), gerou alguma confusão e discussão fora do virtual. Primeiro porque neste momento a malta se toma por body guard do futuro presidente americano. Segundo porque falei a sério em tom de brincadeira de algo que considero grave. E repito. Quando alguém afirma algo do género "Para o Afeganistão, rapidamente e em força!", sinto-me o dinossauro que observa a fina camada de gelo a formar-se no lago onde mata a sede e pensa que aquilo não vai acabar bem.

 

Os exércitos modernos funcionam esplendidamente fazendo explodir coisas grandes, caras e reconhecíveis, tipo aviões e barcos. Um porta-aviões é um bom exemplo, é difícil de esconder ou mesmo ser confundido com uma oliveira, mesmo quando se passa por ele a mais de 300 km/h. Fazer guerra contra guerrilheiros e insurgentes em povoações, dentro dum cockpit ou dum tanque é outra guerra, toda gente é parecida e nesse caso adivinham ou contam com a pontaria da "inteligência", a mesma que mandou bombardear uma embaixada, puro engano, porque não sabiam que o edifício lá ia estar naquele dia, afinal de contas as embaixadas são traiçoeiras, movem-se na calada da noite, por vielas estreitas vestidas de negro. Ou acharam que iletrados criadores de cabras em países poeirentos os receberiam de braços abertos quando lhes apontam armas.

 

Um líder terrorista esconde-se numa casa feita de adobe, assim alguém o disse. Vem a força-aérea executa um ataque com uma arma de precisão de quinhentos quilos, destruindo metade do bairro. Mais cirúgico que isto torna-se complicado. Ainda que acerte no alvo mata sessenta pessoas e os parentes sobreviventes juntam-se aos insurgentes. Alguém me disse que na guerra também se mata para diminuir o número de inimigos, não para os aumentar como parece acontecer. Com meios desadequados, boatos dados como factos e sem estratégia que se vislumbre, não vejo com bons olhos esta brincadeira.

tags:
link do post texticulos, às 16:36  (1) | comentar


eXTReMe Tracker
 
federação