Textículo (*) s. m., texto ridículo; texto pequeno. (* não existe no dicionário)
Aventureiro introvertido; Sensível idiosincratico; Conversador tranquilo; Solitário na multidão; Dedicado desregrado;
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18.1.10

"A agência de rating Moody"s disse anteontem que a nossa economia não corria o risco de "morte súbita", mas corria o risco de "morte lenta". Para a Moody"s, sem uma considerável melhoria da competitividade (e, correlativamente, da receita fiscal) as coisas não têm salvação e o país pode "caminhar para um cenário de aumento de impostos, o que combinado com uma subida dos juros, irá pressionar ainda mais a sua saúde financeira". Pior ainda: esse aumento de impostos, na situação presente, ou numa situação semelhante, "sufocará" o investimento e todo o "potencial" futuro - e, a prazo, provocará também a emigração da parte mais rica e mais flexível da sociedade. Em suma, para a Moody"s, Portugal está condenado a empobrecer pouco a pouco, sem grande esperança de um futuro, comparativamente, "normal".


Para um americano, esta conclusão é trágica. Para um português, não é. Desde 1820 que Portugal sempre viveu na iminência de uma morte lenta. A quem anda nervoso, aconselho a leitura de um livro bastante instrutivo, publicado em 1871, de um tal sr. Ferreira Lobo, e que se chama apropriadamente As Confissões dos Ministros de Portugal (1832 a 1871). Em 180 páginas, esses ministros "confessam" três coisas. Primeira que no ano anterior o défice cresceu e se fizeram novas dívidas (algumas delas ruinosas) no mercado interno e no estrangeiro, mas que no ano corrente o governo espera, se não anular, reduzir significativamente o défice e a dívida. Segunda, os ministros declaram que o país "não comporta mais tributos", excepto, como é óbvio, os necessários para "aliviar" os males da Pátria. E, terceira, os ministros prometem "introduzir" em definitivo "princípios de ordem e regularidade" no Orçamento.


Perante este descalabro, que de resto continuou até Salazar, havia uma regra: a regra de que era "uma indesculpável cobardia desesperar da salvação". O que não impedia uma certa angústia. Conforme o dia e o acaso, o défice e a dívida oscilavam entre ser e não ser "assustadores" - e, às vezes, chegavam mesmo a ser um abismo "inevitável" ou "insondável". A confiança nos "recursos" de Portugal variava de época para época e o medo dos "resultados fatais" da desordem financeira nunca verdadeiramente desapareceu. Claro que, de quando em quando, Portugal falia ou roçava a falência. Só que não acabava. Ou, se quiserem, acabou às mãos de Salazar. A Moody"s não nos conhece.", por VPV no Público

 

 

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